Globo de Ouro, época romântica
Antigamente éramos pessoas românticas
ou bregas? Se bem que essa conotação têm significado em diferentes regiões. O
brega ainda existe, alguns chamam hoje de arrocha, mas o romantismo... esse está
se perdendo. Questiono isso porque estou assistindo no canal a cabo Viva o
saudoso programa Globo de Ouro, onde dentre os cantores que faziam sucessos na
época, eles colocavam também os cinco sucessos mais votados pelo público. Já
assisti a reprise algumas vezes, porém os sucessos da parada na maioria são sempre
os mesmos, às vezes mudam apenas as
ordens e as músicas. Os cantores mais badalados da época eram: Rosana (Direto
no Olhar), Fagner, Fabio Junior (Caça e Caçador), Osvaldo Montenegro (Lua e Flor), Ritchie, José Augusto, Simone e o rei Roberto Carlos (Se o
amor se vai). Todos os estilos musicais são românticos, com músicas que tocam a
alma. Lembro-me de quando as ouviam, chegava até delirar.
Pensando nos dias de hoje, muitas
coisas mudaram nos gostos musicais e se fizermos um paralelo com as mais
pedidas hoje nas rádios, lideram o topo os famosos sertanejos universitários,
os pagodes, o funk e o funk. Os estilos mudaram? Ficamos mais assanhados,
como na música do Gustavo Lins, e menos românticos? Não irei me aprofundar em
teorizar as mudanças globalizadas, econômicas, sociais, etc... Só quero colocar
meu ponto de vista de como eu era fantasiosa e como me embalava nas músicas
antigamente. Hoje nós estamos mais livres, leves e soltos no sentido mais
literal da palavra, e não no sentido da época das Frenéticas (Dancin ' Days), que éramos mais “inocentes”.
Talvez estejamos mais descartáveis, porque hoje em dia a música não é mais
ouvida pela sua essência musical, dotadas de letras que tocam a alma de forma
verdadeira. Hoje a música é ouvida, em sua maioria, por se tornarem “chicletes”,
que são aquelas músicas que entram no cérebro, não saem de jeito nenhum e acaba
ganhando gosto pela insistência em serem tocadas frequentemente, tipo “Ai se eu te
pego” e “Eu quero tchu, eu quero tchá”. Em falar nesse estilo "chiclete", o único
sobrevivente da época de ouro, o rei Roberto Carlos, continua fazendo suas músicas
românticas, mas infelizmente nessa época que nós estamos ele está sendo visto
como ultrapassado e sua música “Esse Cara sou Eu” que pra mim é uma
manifestação do amor pelo outro, há quem diga que ela é “chiclete”? É, estamos
na época da música chiclete, e infelizmente estamos colocando tudo no mesmo
saco dos descartáveis, sem reciclagem. Pra mim, ele continua sendo o
eterno romântico.
Confesso que sinto falta das
músicas românticas e da minha inocência ao me reunir com minhas amigas, ouvir Whitney
Houston e chorar coletivamente, sem nos sentirmos ridicularizadas. Sonhava com
meu primeiro amor, como na música da Angélica, me sentia uma Rosana ao cantar e
suspirava vendo o Fabio Junior jogando o cabelo e gritando, “obrigadú”! Época
brega, ou melhor, boa.
Mas, apesar de tudo me sinto
privilegiada em ter vivido a época do Globo de Ouro. Sinto falta, mas também me
adaptei ao estilo atual. Vivemos hoje a época do Globo Globalizado que combina
com o contexto que vivemos, o Globo hoje infelizmente não é de Ouro e sim de Prata,
por ter menor durabilidade, beleza, sofisticação e riqueza (artística). Melhor
ser de prata do que se tornar uma bijuteria frágil e barata. Ainda há
salvação, graças a Deus e aos novos talentos!
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