domingo, 13 de janeiro de 2013

Globo de Ouro x Globo de Prata


Globo de Ouro, época romântica

Antigamente éramos pessoas românticas ou bregas? Se bem que essa conotação têm significado em diferentes regiões. O brega ainda existe, alguns chamam hoje de arrocha, mas o romantismo... esse está se perdendo. Questiono isso porque estou assistindo no canal a cabo Viva o saudoso programa Globo de Ouro, onde dentre os cantores que faziam sucessos na época, eles colocavam também os cinco sucessos mais votados pelo público. Já assisti a reprise algumas vezes, porém os sucessos da parada na maioria são sempre  os mesmos, às vezes mudam apenas as ordens e as músicas. Os cantores mais badalados da época eram: Rosana (Direto no Olhar), Fagner, Fabio Junior (Caça e Caçador), Osvaldo Montenegro (Lua  e Flor), Ritchie, José Augusto, Simone e o rei Roberto Carlos (Se o amor se vai). Todos os estilos musicais são românticos, com músicas que tocam a alma. Lembro-me de quando as ouviam, chegava até delirar.

Pensando nos dias de hoje, muitas coisas mudaram nos gostos musicais e se fizermos um paralelo com as mais pedidas hoje nas rádios, lideram o topo os famosos sertanejos universitários, os pagodes, o funk e o funk. Os estilos mudaram? Ficamos mais assanhados, como na música do Gustavo Lins, e menos românticos? Não irei me aprofundar em teorizar as mudanças globalizadas, econômicas, sociais, etc... Só quero colocar meu ponto de vista de como eu era fantasiosa e como me embalava nas músicas antigamente. Hoje nós estamos mais livres, leves e soltos no sentido mais literal da palavra, e não no sentido da época das Frenéticas (Dancin ' Days), que éramos mais “inocentes”. Talvez estejamos mais descartáveis, porque hoje em dia a música não é mais ouvida pela sua essência musical, dotadas de letras que tocam a alma de forma verdadeira. Hoje a música é ouvida, em sua maioria, por se tornarem “chicletes”, que são aquelas músicas que entram no cérebro, não saem de jeito nenhum e acaba ganhando gosto pela insistência em serem tocadas frequentemente, tipo “Ai se eu te pego” e “Eu quero tchu, eu quero tchá”. Em falar nesse estilo "chiclete", o único sobrevivente da época de ouro, o rei Roberto Carlos, continua fazendo suas músicas românticas, mas infelizmente nessa época que nós estamos ele está sendo visto como ultrapassado e sua música “Esse Cara sou Eu” que pra mim é uma manifestação do amor pelo outro, há quem diga que ela é “chiclete”? É, estamos na época da música chiclete, e infelizmente estamos colocando tudo no mesmo saco dos descartáveis, sem reciclagem. Pra mim, ele continua sendo o eterno romântico.

Confesso que sinto falta das músicas românticas e da minha inocência ao me reunir com minhas amigas, ouvir Whitney Houston e chorar coletivamente, sem nos sentirmos ridicularizadas. Sonhava com meu primeiro amor, como na música da Angélica, me sentia uma Rosana ao cantar e suspirava vendo o Fabio Junior jogando o cabelo e gritando, “obrigadú”! Época brega, ou melhor, boa.

Mas, apesar de tudo me sinto privilegiada em ter vivido a época do Globo de Ouro. Sinto falta, mas também me adaptei ao estilo atual. Vivemos hoje a época do Globo Globalizado que combina com o contexto que vivemos, o Globo hoje infelizmente não é de Ouro e sim de Prata, por ter menor durabilidade, beleza, sofisticação e riqueza (artística). Melhor ser de prata do que se tornar uma bijuteria frágil e barata. Ainda há salvação, graças a Deus e aos novos talentos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário